Depredando o Orelhão

#ForaCabral: Manifestantes ocupam a rua onde mora o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no Leblon. Leia o relato de Bruno Torturra @ Mídia NINJA:

NAS TERRAS DE CABRAL

Nem seu charme, sua orla irresistível, seus prédios baixos ou seus célebres moradores seriam capazes de explicar o recorde que o bairro do Leblon bateu ano passado: é dele o metro quadrado mais caro do mundo. Vamos refletir… nenhum pedaço da terra sobre a Terra custa mais do que nesse perímetro carioca.

Contas desse tipo, ou melhor, nesse topo, costumam ser medidas não de real… valor. Mas de privilégio.

Mas é em torno dele, do privilégio, que o Rio de Janeiro vem sendo planejado e reformado nos últimos anos. Principalmente depois de ganhar o duvidoso privilégio de receber a Copa, as Olimpíadas e os bilhões de royalties da exploração do Pré-Sal.

Desalojaram e militarizaram comunidades, licitaram entre amigos, implodiram a alma do Maracanã… a lista segue. Não são poucas as denúncias, os escândalos e, sobretudo, os abusos aos cidadãos cariocas. O fundamental é que Sérgio Cabral e Eduardo Paes ostentaram um cartel político, midiático e empresarial sem hesitação. De constrangedoras farras em Paris a banhos de sangue nas favelas, sempre contaram com a eficácia de uma narrativa “pacificadora”: estamos modernizando o Rio, preparando a cidade para receber o mundo… o futuro!

Pois bem, sr. Cabral. No dia em que as ações de Eike Batista ficaram 90% mais baratas, o futuro chegou na portaria do seu prédio. No Leblon, aliás.

Na noite de ontem, milhares de manifestantes se reuniram diante da casa do governador. Nossa reportagem testemunhou e transmitiu ao vivo a obstinação pacífica dos cariocas. Assim como a violência que partiu da Polícia Militar que, com a intenção de “dispersar”, acabou criando cenas globais no bairro mais Global do Brasil. E a única TV ao vivo… era a PósTV.

Balas de borracha disparadas por homens sem pele à mostra. Farda, capuz, capacete. Sem identificação. Que vetavam cidadãos de vedarem suas vias com panos ou máscaras. Pela orla do Leblon, dezenas de bombas de gás lacrimogênio (recém repostas ao custo de 1,6 milhões de reais) levantaram nuvens tóxicas que atingiram os amplos apartamentos da Delfim Moreira.

Dentro da bolha imobiliária tinha gás CS. E foi ele se alastrando pelos metros cúbicos mais caros do mundo. Triste, absurdo, violento? Nem tanto quanto revelador: não é que a farsa da Pax Carioca chegou no asfalto. Ela morreu na praia. Arda o que arder… testemunhar algo assim, no Leblon, é um privilégio.

Portanto, conheça seu carma, Cabral: você acaba de descobrir o Brasil.
__________

Na Mídia NINJA.

Compartilhar

Vídeos

Comentários do blogue desenvolvidos por Disqus