Depredando o Orelhão

Hoje, 17 de abril, completam-se 18 anos desde o Massacre de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, ocorrido em 17/04/1996, em que a polícia matou 19 pessoas e feriu outras 60. Relembre no vídeo aqui compartilhado - um trecho do documentário “Nas Terras do Bem-Virá” - este episódio sangrento da história brasileira, em que as autoridades defensoras do agronegócio e do latifúndio utilizaram métodos genocidas para lidar com as demandas do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

Saiba mais:
http://www.mst.org.br/taxonomy/term/897


COMPARTILHAR NO FACEBOOK

Imagem que vale por 1000 palavras?
Compartilhe

Imagem que vale por 1000 palavras?

Compartilhe

Gifs animados dos protestos pelo Brasil @ Junho de 2013

"Uma cidade mudaNão muda.”(“A city that’s mutedoesn’t mutate.”)
Colhido nas redes sociais.
* * * * * 
Foto: São Paulo, 13 de Junho de 2013

"Uma cidade muda
Não muda.”

(“A city that’s mute
doesn’t mutate.”)

Colhido nas redes sociais.

* * * * * 

Foto: São Paulo, 13 de Junho de 2013

[COMPARTILHAR NO FACEBOOK]“Repórteres sem Fronteiras publica, a 24 de janeiro de 2013, um relatório intitulado “Brasil, o país dos trinta Berlusconis”, que aborda os importantes desequilíbrios e obstáculos que caracterizam o horizonte mediático do gigante sul-americano. O documento se baseia em uma investigação realizada em três etapas – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – no decorrer do mês de novembro de 2012. O anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 apresenta um panorama mediático que pouco evoluiu nas últimas três décadas, desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Para além de uma dezena de grupos, sediados principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, que repartem entre si a comunicação de massas, o país conta com uma profusão de meios de comunicação regionais, fragilizados devido à sua extrema dependência para com os centros de poder dos distintos estados. Quer a imprensa escrita quer a mídia audiovisual se mantêm sob a tutela financeira das instituições ou organismos públicos. Uma tutela que mina diretamente sua independência.Essa situação traz consigo insegurança. O ano de 2012 deixou a profissão de luto, com cinco jornalistas e blogueiros assassinados, colocando o Brasil no quinto lugar dos países mais mortíferos. Dois jornalistas reputados por seus conhecimentos sobre questões de segurança pública também tiveram que se exilar. A campanha das eleições municipais de outubro de 2012 multiplicou os casos de agressões e de ataques cometidos contra os meios acusados de estar ao serviço de seus proprietários, políticos locais.Ainda no plano legislativo, a questão de uma nova lei de imprensa mobiliza tanto como divide, desde a revogação da lei de 9 de fevereiro de 1967, herdada do regime militar, que castigava com a cadeia os jornalistas recalcitrantes e impunha aos conteúdos editados ou difundidos um controle prévio. Essa herança sobreviveu à adoção da Constituição democrática de 1988, até aos dias de hoje. Um código eleitoral obsoleto continua reprimindo a informação de caráter político. Um sistema inadaptado de regulação das frequências condena à ilegalidade numerosas rádios comunitárias, espelho de uma sociedade civil ainda pouco escutada. Um novo enquadramento legal precisa do consentimento de uma classe política muito presente na esfera mediática e ciosa de seus interesses.Essas novas regras, ansiadas pelos atores da informação no Brasil, estão incluídas nas recomendações propostas por Repórteres sem Fronteiras na conclusão do relatório. Em um país que não carece de trunfos, a sua diversidade pode se tornar um modelo.” (Fonte)LEIA O RELATÓRIO COMPLETO DA REPÓRTERES SEM FRONTEIRA, “O PAÍS DOS 30 BERLUSCONIS”.

[COMPARTILHAR NO FACEBOOK]

“Repórteres sem Fronteiras publica, a 24 de janeiro de 2013, um relatório intitulado “Brasil, o país dos trinta Berlusconis”, que aborda os importantes desequilíbrios e obstáculos que caracterizam o horizonte mediático do gigante sul-americano. O documento se baseia em uma investigação realizada em três etapas – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – no decorrer do mês de novembro de 2012. 


O anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 apresenta um panorama mediático que pouco evoluiu nas últimas três décadas, desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Para além de uma dezena de grupos, sediados principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, que repartem entre si a comunicação de massas, o país conta com uma profusão de meios de comunicação regionais, fragilizados devido à sua extrema dependência para com os centros de poder dos distintos estados. Quer a imprensa escrita quer a mídia audiovisual se mantêm sob a tutela financeira das instituições ou organismos públicos. Uma tutela que mina diretamente sua independência.

Essa situação traz consigo insegurança. O ano de 2012 deixou a profissão de luto, com cinco jornalistas e blogueiros assassinados, colocando o Brasil no quinto lugar dos países mais mortíferos. Dois jornalistas reputados por seus conhecimentos sobre questões de segurança pública também tiveram que se exilar. A campanha das eleições municipais de outubro de 2012 multiplicou os casos de agressões e de ataques cometidos contra os meios acusados de estar ao serviço de seus proprietários, políticos locais.

Ainda no plano legislativo, a questão de uma nova lei de imprensa mobiliza tanto como divide, desde a revogação da lei de 9 de fevereiro de 1967, herdada do regime militar, que castigava com a cadeia os jornalistas recalcitrantes e impunha aos conteúdos editados ou difundidos um controle prévio. Essa herança sobreviveu à adoção da Constituição democrática de 1988, até aos dias de hoje. Um código eleitoral obsoleto continua reprimindo a informação de caráter político. Um sistema inadaptado de regulação das frequências condena à ilegalidade numerosas rádios comunitárias, espelho de uma sociedade civil ainda pouco escutada. Um novo enquadramento legal precisa do consentimento de uma classe política muito presente na esfera mediática e ciosa de seus interesses.

Essas novas regras, ansiadas pelos atores da informação no Brasil, estão incluídas nas recomendações propostas por Repórteres sem Fronteiras na conclusão do relatório. Em um país que não carece de trunfos, a sua diversidade pode se tornar um modelo.” (Fonte)

LEIA O RELATÓRIO COMPLETO DA REPÓRTERES SEM FRONTEIRA, “O PAÍS DOS 30 BERLUSCONIS”.

A Sociologia de Florestan Fernandespor Octávio Ianni
[compartilhar no Facebook]
A SOCIOLOGiA DE FLORESTAN FERNANDES inaugura uma nova época na história da Sociologia brasileira. Não só descortina novos horizontes para a reflexão teórica e a interpretação da realidade social, como permite reler criticamente muito do que tem sido a Sociologia brasileira passada e recente. Permite reler criticamente algumas teses de Silvio Romero, Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire entre alguns outros. Simultaneamente, retoma e desenvolve teses esboçadas por Euclides da Cunha, Manoel Bonfim, Caio Prado Júnior, entre outros. A partir desse diálogo com uns e outros, a Sociologia de Florestan Fernandes inaugura uma nova interpretação do Brasil, um novo estilo de pensar o passado e o presente.Em uma formulação muito breve, pode-se afirmar que a interpretação do Brasil formulada por Florestan Fernandes revela a formação, os desenvolvimentos, as lutas e as perspectivas do povo brasileiro. Um povo formado por populações indígenas, conquistadores portugueses, africanos trazidos como escravos, imigrantes europeus, árabes e asiáticos incorporados como trabalhadores livres. Mas essa é uma história baseada no escambo e escravidão, no colonialismo e imperialismo, na urbanização e industrialização, por meio da qual se dá, inicialmente, a formação da sociedade de castas, e, posteriormente, da sociedade de classes. Uma história atravessada por lutas sociais da maior importância, desde as revoltas de comunidades indígenas contra os colonizadores às lutas contra o regime de trabalho escravo. História essa que, no século xx, desenvolve-se com as lutas de trabalhadores do campo e da cidade pela conquista de direitos sociais ou pela transformação das estruturas sociais. Uma parte importante dessa contribuição encontra-se em livros como estes: A organização social dos Tupinambá, A integração do negro na sociedade de classes, O negro no mundo dos brancos, Mudanças sociais no Brasil e A revolução burguesa no Brasil.Artigo completo

A Sociologia de Florestan Fernandes
por Octávio Ianni

[compartilhar no Facebook]


A SOCIOLOGiA DE FLORESTAN FERNANDES inaugura uma nova época na história da Sociologia brasileira. Não só descortina novos horizontes para a reflexão teórica e a interpretação da realidade social, como permite reler criticamente muito do que tem sido a Sociologia brasileira passada e recente. Permite reler criticamente algumas teses de Silvio Romero, Oliveira Vianna, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire entre alguns outros. Simultaneamente, retoma e desenvolve teses esboçadas por Euclides da Cunha, Manoel Bonfim, Caio Prado Júnior, entre outros. A partir desse diálogo com uns e outros, a Sociologia de Florestan Fernandes inaugura uma nova interpretação do Brasil, um novo estilo de pensar o passado e o presente.

Em uma formulação muito breve, pode-se afirmar que a interpretação do Brasil formulada por Florestan Fernandes revela a formação, os desenvolvimentos, as lutas e as perspectivas do povo brasileiro. Um povo formado por populações indígenas, conquistadores portugueses, africanos trazidos como escravos, imigrantes europeus, árabes e asiáticos incorporados como trabalhadores livres. Mas essa é uma história baseada no escambo e escravidão, no colonialismo e imperialismo, na urbanização e industrialização, por meio da qual se dá, inicialmente, a formação da sociedade de castas, e, posteriormente, da sociedade de classes. Uma história atravessada por lutas sociais da maior importância, desde as revoltas de comunidades indígenas contra os colonizadores às lutas contra o regime de trabalho escravo. História essa que, no século xx, desenvolve-se com as lutas de trabalhadores do campo e da cidade pela conquista de direitos sociais ou pela transformação das estruturas sociais. Uma parte importante dessa contribuição encontra-se em livros como estes: A organização social dos Tupinambá, A integração do negro na sociedade de classes, O negro no mundo dos brancos, Mudanças sociais no Brasil e A revolução burguesa no Brasil.

Artigo completo

Só mesmo no Brazil-zil-zil(Editorial de Carta Capital - Dezembro de 2011 - por Mino Carta)Pergunto aos meus intrigados botões por que a mídia nativa praticamente ignorou as denúncias do livro de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, divulgadas na reportagem de capa da CartaCapital em primeira mão. Pergunto também se o mesmo se daria em países democráticos e civilizados em circunstâncias a
nálogas. Como se fosse possível, digamos, que episódios da recente história dos Estados Unidos, como os casos Watergate ou Pentagon Papers, uma vez trazidos à tona por um órgão de imprensa, não fossem repercutidos pelos demais. Lacônicos os botões respondem: aqui, no Brazil-zil-zil, a aposta se dá na ignorância, na parvoíce, na credulidade da plateia.A mídia nativa segue a produzir seus estrondosos silêncios. Mas o Brasil é outro. Ou, por outra: a mídia nativa empenha-se até o ridículo pela felicidade da minoria, e com isso não hesita em lançar uma sombra de primarismo troglodita, de primeva indigência mental, sobre a nação em peso. Não sei até que ponto os barões midiáticos e seus sabujos percebem as mudanças pelas quais o País passa, ou se fingem não perceber, na esperança até ontem certeza de que nada acontece se não for noticiado por seus jornalões, revistonas, canais de tevê, ondas radiofônicas.Mudanças, contudo, se dão, e estão longe de serem superficiais. Para ficar neste específico episódio gerado pelo Escândalo Serra, o novo rumo, e nem tão novo, se exprime nas reações dos blogueiros mais respeitáveis e de milhões de navegantes da internet, na venda extraordinária de um livro que já é best seller e na demanda de milhares de leitores a pressionarem as livrarias onde a obra esgotou. A editora cuida febrilmente da reimpressão. Este é um fato, e se houver um Vale de Josaphat para o jornalismo (?) brasileiro barões e sabujos terão de explicar também por que não o registraram, até para contestá-lo.Quero ir um pouco além da resposta dos botões, e de pronto tropeço em -duas razões para o costumeiro silêncio ensurdecedor da mídia nativa. A primeira é tradição desse pseudojornalismo arcaico: não se repercutem informações publicadas pela concorrência mesmo que se trate do assassínio do arquiduque, príncipe herdeiro. Tanto mais quando saem nas páginas impressas por quem não fala a língua dos vetustos donos do poder e até ousa remar contracorrente. A segunda razão é o próprio José Serra e o tucanato em peso. Ali, ai de quem mexe, é a reserva moral do País.Estranho percurso o do ex-governador e candidato derrotado duas vezes em eleições presidenciais, assim como é o de outra ave misteriosa, Fernando Henrique Cardoso, representativos um e outro de um típico esquerdismo à moda. Impávidos, descambaram para a pior direita, esta também à moda, ou seja, talhada sob medida -para um país- que não passou pela Revolução Francesa. Donde, de alguns pontos de -vista, atado à Idade Média. O movimento de leste para oeste é oportunista, cevado na falta de crença.Não cabe mais o pasmo, Serra e FHC tornaram-se heróis do reacionarismo verde-amarelo, São Paulo na vanguarda. Estive recentemente em Salvador para participar de um evento ao qual compareceram Jaques Wagner, Eduardo Campos e Cid Gomes, governadores em um Nordeste hoje em nítido progresso. Enxergo-o como o ex-fundão redimido por uma leva crescente de cidadãos cada vez mais conscientes das -suas possibilidades e do acerto de suas escolhas eleitorais. Disse eu por lá que São Paulo é o estado mais reacionário da Federação, choveram sobre mim os insultos de inúmeros navegantes paulistas.Haverá motivos para definir mais claramente o conservadorismo retrógado de marca paulista? E de onde saem Folha e Estadão, e Veja e IstoÉ, fontes do besteirol burguesote, sempre inclinados à omissão da verdade factual, embora tão dedicados à defesa do que chamam de liberdade de imprensa? Quanto às Organizações Globo e seus órgãos de comunicação, apresso-me a lhes conferir a cidadania honorária de São Paulo, totalmente merecida.Carta Capital

Só mesmo no Brazil-zil-zil
(Editorial de Carta Capital - Dezembro de 2011 - por Mino Carta)

Pergunto aos meus intrigados botões por que a mídia nativa praticamente ignorou as denúncias do livro de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, divulgadas na reportagem de capa da CartaCapital em primeira mão. Pergunto também se o mesmo se daria em países democráticos e civilizados em circunstâncias a

nálogas. Como se fosse possível, digamos, que episódios da recente história dos Estados Unidos, como os casos Watergate ou Pentagon Papers, uma vez trazidos à tona por um órgão de imprensa, não fossem repercutidos pelos demais. Lacônicos os botões respondem: aqui, no Brazil-zil-zil, a aposta se dá na ignorância, na parvoíce, na credulidade da plateia.

A mídia nativa segue a produzir seus estrondosos silêncios. Mas o Brasil é outro. Ou, por outra: a mídia nativa empenha-se até o ridículo pela felicidade da minoria, e com isso não hesita em lançar uma sombra de primarismo troglodita, de primeva indigência mental, sobre a nação em peso. Não sei até que ponto os barões midiáticos e seus sabujos percebem as mudanças pelas quais o País passa, ou se fingem não perceber, na esperança até ontem certeza de que nada acontece se não for noticiado por seus jornalões, revistonas, canais de tevê, ondas radiofônicas.

Mudanças, contudo, se dão, e estão longe de serem superficiais. Para ficar neste específico episódio gerado pelo Escândalo Serra, o novo rumo, e nem tão novo, se exprime nas reações dos blogueiros mais respeitáveis e de milhões de navegantes da internet, na venda extraordinária de um livro que já é best seller e na demanda de milhares de leitores a pressionarem as livrarias onde a obra esgotou. A editora cuida febrilmente da reimpressão. Este é um fato, e se houver um Vale de Josaphat para o jornalismo (?) brasileiro barões e sabujos terão de explicar também por que não o registraram, até para contestá-lo.

Quero ir um pouco além da resposta dos botões, e de pronto tropeço em -duas razões para o costumeiro silêncio ensurdecedor da mídia nativa. A primeira é tradição desse pseudojornalismo arcaico: não se repercutem informações publicadas pela concorrência mesmo que se trate do assassínio do arquiduque, príncipe herdeiro. Tanto mais quando saem nas páginas impressas por quem não fala a língua dos vetustos donos do poder e até ousa remar contracorrente. A segunda razão é o próprio José Serra e o tucanato em peso. Ali, ai de quem mexe, é a reserva moral do País.

Estranho percurso o do ex-governador e candidato derrotado duas vezes em eleições presidenciais, assim como é o de outra ave misteriosa, Fernando Henrique Cardoso, representativos um e outro de um típico esquerdismo à moda. Impávidos, descambaram para a pior direita, esta também à moda, ou seja, talhada sob medida -para um país- que não passou pela Revolução Francesa. Donde, de alguns pontos de -vista, atado à Idade Média. O movimento de leste para oeste é oportunista, cevado na falta de crença.

Não cabe mais o pasmo, Serra e FHC tornaram-se heróis do reacionarismo verde-amarelo, São Paulo na vanguarda. Estive recentemente em Salvador para participar de um evento ao qual compareceram Jaques Wagner, Eduardo Campos e Cid Gomes, governadores em um Nordeste hoje em nítido progresso. Enxergo-o como o ex-fundão redimido por uma leva crescente de cidadãos cada vez mais conscientes das -suas possibilidades e do acerto de suas escolhas eleitorais. Disse eu por lá que São Paulo é o estado mais reacionário da Federação, choveram sobre mim os insultos de inúmeros navegantes paulistas.

Haverá motivos para definir mais claramente o conservadorismo retrógado de marca paulista? E de onde saem Folha e Estadão, e Veja e IstoÉ, fontes do besteirol burguesote, sempre inclinados à omissão da verdade factual, embora tão dedicados à defesa do que chamam de liberdade de imprensa? Quanto às Organizações Globo e seus órgãos de comunicação, apresso-me a lhes conferir a cidadania honorária de São Paulo, totalmente merecida.

Carta Capital
O projeto de Brasil que tem a presente coalizão governamental sob o comando do PT é um no qual ribeirinhos, índios, camponeses, quilombolas são vistos como gente atrasada, retardados socioculturais que devem ser conduzidos para um outro estágio. Isso é uma concepção tragicamente equivocada. O PT é visceralmente paulista, seu projeto é uma “paulistanização” do Brasil. Transformar o interior do país numa fantasia country: muita festa do peão boiadeiro, muito carro de tração nas quatro, muita música sertaneja, bota, chapéu, rodeio, boi, eucalipto, gaúcho. E do outro lado cidades gigantescas e impossíveis como São Paulo. O PT vê a Amazônia brasileira como um lugar a se civilizar, a se domesticar, a se rentabilizar, a se capitalizar. Esse é o velho bandeirantismo que tomou conta de vez do projeto nacional, em uma continuidade lamentável entre a geopolítica da ditadura e a do governo atual.

Eduardo Viveiros De Castro,
antropólogo brasileiro,
em entrevista ao Outras Palavras 

Adquira obras desse autor:

Final de show apoteótico do Móveis Coloniais de Acaju (@moveis) no @FestVacaAmarela 2012. Confira o vídeo de “O Tempo”, última do show antológico do 07 de Setembro, no nosso canal no Youtube.

Final de show apoteótico do Móveis Coloniais de Acaju (@moveis) no @FestVacaAmarela 2012. Confira o vídeo de “O Tempo”, última do show antológico do 07 de Setembro, no nosso canal no Youtube.

É ou não é?!?
90 dias de greve das Universidades Federais brasileiras e… cadê o Governo Dilma demonstrando algum tipo de respeito pela Educação, algum reconhecimento da importância crucial disso para qualquer país que se preze? As empreiteiras interessadas em colonizar a Amazônia através de Belo Monte estão sendo tratadas muito melhor do que os professores!

É ou não é?!?

90 dias de greve das Universidades Federais brasileiras e… cadê o Governo Dilma demonstrando algum tipo de respeito pela Educação, algum reconhecimento da importância crucial disso para qualquer país que se preze? As empreiteiras interessadas em colonizar a Amazônia através de Belo Monte estão sendo tratadas muito melhor do que os professores!

"Em uma fotografia de Miguel Rio Branco, que mostra um cárcere na Bahia, lemos uma frase arranhada no reboco da parede: “Aqui o filho chora e a mãe não ouve”. Frase terrível. Seria isso o Estado: onde o filho chora e a mãe não ouve. O lugar geométrico de todos os lugares onde o filho chora e a mãe não ouve. E ao mesmo tempo, o dossel que nos protege… Fora da cela, fora da jaula, seremos devorados – é o que nos contam.

Uma intenção poético-política sempre esteve comigo e diz muito diretamente respeito a um outro modo de imaginar o Brasil: o Brasil como multiplicidade complexa, original, polívoca, antropofágica. Quem sabe mesmo um “país do futuro” em outro sentido - no sentido de que o Brasil abriga virtualmente em si uma idéia futura, inédita, do que pode ser um país? Invenção, experimentação. Contra vento e maré, reinventar o Brasil. Com os índios, entre outros.

Uma boa política, aquela que me desperta simpatia de início, é aquela que multiplica os possíveis, que aumenta o número de possibilidades abertas à espécie. Uma política cujo objetivo é reduzir as possibilidades, as alternativas, circunscrever formas possíveis de criação e expressão, é uma política que descarto de saída.

A diversidade das formas de vida é consubstancial à vida enquanto forma da matéria. Essa diversidade é o movimento mesmo da vida. A diversidade dos modos de vida humanos é uma diversidade dos modos de nos relacionarmos com a vida em geral, e com as inumeráveis formas singulares de vida que ocupam todos os nichos possíveis do mundo que conhecemos. A diversidade é um valor superior para a vida. A vida vive da diferença; toda vez que uma diferença se anula, há morte. “Existir é diferir”.

É do supremo e urgente interesse da espécie humana abandonar uma perspectiva antropocêntrica. Os rumos que nossa civilização tomou nada têm de necessários… é possível mudar de rumo, ainda que isso signifique mudar muito daquilo que muitos considerariam como a essência mesma da nossa civilização.

Falar em diversidade socioambiental não é fazer uma constatação, mas um chamado à luta. Não se trata de celebrar ou lamentar uma diversidade passada, residualmente mantida ou irrecuperavelmente perdida. A bandeira da diversidade real aponta para o futuro: a diversidade socioambiental é o que se quer produzir, promover, favorecer. Não é uma questão de preservação, mas de perseverança. Não é um problema de controle tecnológico, mas de auto-determinação política.

EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO
in: Encontros (org. Renato Sztutman)
Azougue Editorial
Leia na íntegra

SAI DISGRAMA! (2012, Goiânia, 14 min.)
Um documentário independente sobre o Movimento Fora Marconi

Trilha sonora: Dead Kennedys, Rage Against the Machine e Raul Seixas.

Inclui fotografias de Jean-Pierre Pierote e outros forógrafos goianos

No “Dia do Basta”, 21 de Abril de 2012, quando mais de 80 cidades brasileiras organizaram marchas em protesto contra a corrupção, cerca de 8 mil goianienses tomaram as ruas da capital do Estado governado por Marconi Perillo. Foi o segundo fim-de-semana consecutivo com milhares de manifestantes colorindo as ruas com provas incontestes de que há quem se levanta a bunda do sofá contra o conformismo e que arregaça as mangas em prol de mudança. Organizadas essencialmente pelo Facebook e demais redes sociais, esses eventos eletrizantes são provas de que não foi só a Primavera Árabe que soube utilizar a Internet como ferramenta de Mobilização Social e que, seguindo o exemplo da Praça Tahir, Goiânia começa a realizar notáveis Occupy Praça Cívica.

Bradando a muitas vozes slogans como “Marconi, bicheiro, devolve o meu dinheiro!” e “O povo acordou, o povo decidiu, ou pára a roubalheira ou paramos o Brasil!”, a massa festiva tomou as ruas com alegria e ímpeto, num movimento cívico pacífico, apesar de alguns pequenos conflitos isolados com a polícia. Minha impressão é a de que essas passeatas tem um apoio muito maior da população goiana do que as “notas oficiais” do governo sugerem quando tentam menosprezar esse agito como se viesse de uma “oposição minoritária”. 

Uma manifestação, na era da cibercultura, tem toda uma série de peculiaridades que não se via em tempos idos: além da onipresença das câmeras fotográficas e dos celulares com Instagram, em que dúzias de participantes servem também como repórteres e documentaristas, as máscaras e fantasias indicavam as “filiações” dos manifestantes, seja ao movimento hacker Anonymous, seja à simbologia anarco-pop disseminada por V de Vingança, seja ao movimento estudantil ou sindical. Muitos dos jovens protestadores, com as caras-pintadas com as cores tropicais da bandeira nacional, pareciam querer viver pela primeira vez o que seus pais viveram nas manifestações pelas Diretas Já, pelo fim da Ditadura Militar ou pelo impeachment de Collor.

Me senti feliz de me sentir parte de um coletivo que, arrebatado, reclama diante da sociedade seu direito à expressão e à rebeldia. Foi bonito ver uma juventude que, tendo nascido original, não quer morrer uma cópia. Que, como Maiakóvski diria, age como se não tivesse nenhum cabelo branco por dentro. Foi lindo ver professores, educadores, pedagogos, universitários, movimentos estudantis e docentes, botando a boca no trombone contra um Governo que enxerga a Educação como algo relegado ao terceiro plano - pois a prioridade, é claro, são as fazendas e os “acordos comerciais”! E, claro, o jogo-do-Bicho e os caça-níqueis.

Só que agora deu zebra. As “tenebrosas transações” de que nos fala Chico Buarque começaram a vir à tona. Uma cachoeira de escândalos de corrupção e enriquecimento ilícito parece trazer uma crise moral das mais sérias para certos políticos que, por baixo do pano, nos bastidores do poder, têm nos surrupiado em surdina. E o povo que toma as ruas parece ser esperto e lúcido o bastante para ter aprendido com a História e para “sacar” com esperteza quando “há algo de podre no Reino da Dinamarca”. “O povo não é trouxa”, lia-se num cartaz. “É o governo quem deve temer o povo”, dizia outro.

Estas manifestações de rua, que muita gente garante serem as maiores em Goiânia desde o “Fora Collor!”, mostram também que a Internet, hoje em dia, se tornou o único abrigo possível de um relato factual das vivências da rua. “In times of universal deceit, telling the truth becomes a revolutionary act”, diz George Orwell. E hoje, o Facebook, o Youtube, a blogosfera, são uma das únicas chances viáveis de pôr em prática aquele preceito de que tanto gosto e que aprendi com o sábio punk Jello Biafra: “não odeie a mídia; torne-se a mídia!”

Neste curta-metragem, estão documentados alguns fragmentos desta turbulenta situação política em que as ruas de Goiânia vivem uma efervescência pouco usual. Há ônibus que tentam passar por cima de manifestantes, discursos inflamados que remetem a Martin Luther King e relembram os presentes da Primavera Árabe, uma veemente crítica e questionamento em relação à polícia, ao sistema eleitoral e à corrupção política. Se o “Caso Cachoeira” é factóide mais marcante do noticiário brasileiro em 2012, então estas passeatas e manifestações de rua são a prova de que o povo goiano soube enxotar a letargia, abandonar o conformismo e botar a boca no trombone.